sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Cientistas avisam que nível do mar pode subir mais do que o previsto

O nível do mar poderá subir mais do que se previa, alertaram ontem cientistas reunidos em Copenhaga. Segundo vários especialistas, os últimos cenários do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) são conservadores, não levando em conta factores agora melhor estudados.

O IPCC previa que o nível do mar poderia subir entre 18 e 59 centímetros, até 2100. Mas agora apontam-

-se valores maiores. "O limite superior do aumento do nível do mar até 2100 poderá ser de um metro acima da média global", disse Konrad Stef-fen, investigador da Universidade de Colorado, Estados Unidos.

Há, por exemplo, dados novos sobre a Gronelândia, cuja temperatura aumentou quatro graus Celsius desde 1991, segundo um artigo de Steffen - um dos 1600 que foram submetidos à conferência de Copenhaga. A área gelada que se funde no Oeste do continente aumentou em 30 por cento entre 1979 e 2008.

Dados recentes de satélites indicam que o nível do mar tem subido cerca de três milímetros por ano desde 1993. É um ritmo "muito acima da média do século XX", afirmou John Church, do Centro para Investigação Meteorológica e do Clima da Austrália, citado num comunicado.

A conferência de Copenhaga é organizada por de dez universidades da Dinamarca, Suíça, Austrália, Singapura, China, EUA, Reino Unido e Japão. O objectivo é produzir uma síntese do que há de novo, em termos de investigação, desde o último relatório do IPCC, divulgado em 2007 mas baseado na produção científica até 2005.

Uma das áreas em que o conhecimento avançou é precisamente a da subida do nível do mar. O programa da conferência inclui 39 trabalhos sobre o assunto. Segundo Eric Rignot, da Universidade Irvine na Califórnia, acredita-se hoje que a Gronelândia e a Antárctida estão a contribuir mais e mais rapidamente para a subida dos oceanos do que se imaginava.

Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, uma outra conferência reúne cerca de 700 pessoas - incluindo cientistas, economistas e analistas políticos - em torno da tese de que não existe uma crise climática global. É a segunda reunião do género dos "cépticos" do aquecimento global, promovida pelo Instituto Heartland - que se define como defensor do mercado livre.

Para os cépticos, as alterações climáticas não são um problema, nem têm origem humana. Muitos defendem que a actividade do Sol é que comanda as variações climáticas ou que o aquecimento recente resulta da recuperação da "Pequena Idade do Gelo", que terminou em 1850. Os seus argumentos, até agora, não conseguiram convencer a maior parte da comunidade científica mundial.

Ricardo Garcia
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