sábado, 15 de agosto de 2015

Aumento súbito de partículas poluentes contribui para elevar risco de morte

O aumento súbito de pequenas partículas poluentes na atmosfera contribui para elevar o risco relativo de morte, revela o primeiro estudo realizado em Portugal para quantificar o efeito da poluição na mortalidade da população de um concelho.

O estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) insere-se no projecto RiskarLx e visou avaliar o efeito da poluição atmosférica por partículas na mortalidade dos residentes no concelho de Lisboa entre 2000 e 2004.

Como variáveis, os investigadores contabilizaram a concentração média diária de PM10 (partículas em suspensão na atmosfera com dimensão inferior a 10 microns - unidade que corresponde à milésima parte do milímetro), entre outras.

"O que se pretendeu compreender foi qual a influência da variação súbita das PM10 na mortalidade", explicou a investigadora do INSA Rita Nicolau, frisando que o "impacto é pequeno mas o efeito atinge muitas pessoas".

Do estudo concluiu-se que o acréscimo de 10 microgramas por metro cúbico de PM10 eleva o risco relativo da mortalidade em 0,66 por cento, considerando todas as idades e sexos.

Verificou-se também que o efeito nocivo da poluição atmosférica tende a agravar-se com a idade dos indivíduos.

O risco relativo de morte aumenta 0,85 por cento nos indivíduos com mais de 65 anos e 1,22 por cento nos indivíduos com mais de 75 anos.

Estes dados foram inferidos com base nos casos de mortalidade independentemente das suas causas, com exclusão dos acidentes.

O estudo analisou mais especificamente o efeito do aumento das PM10 nas mortes causadas por doenças do aparelho circulatório e respiratório.

Nas mortes causadas por doenças do aparelho circulatório, o estudo estima que o risco relativo suba para 1,15 por cento.

Quanto à mortalidade associada a doenças do aparelho respiratório, o estudo só permitiu determinar um aumento de risco para os mais idosos, que foi de 2,24 por cento nos indivíduos com mais de 75 anos.

O estudo visou a "poluição de fundo", aquela que é "permanente", e não directamente relacionada com tráfego, medida na estação dos Olivais.

O Projecto RiskarLX é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e é coordenado pelo Departamento de Ciências Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Este estudo vai ser apresentado hoje no Instituto de Meteorologia a propósito do Dia Meteorológico Mundial, este ano dedicado ao tema "O tempo, o clima e o ar que respiramos".
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