quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Árctico pode ficar sem gelo três vezes mais cedo do que se previa


O oceano Árctico pode ficar todo azul, quase sem gelo, três vezes mais cedo do que se previa, diz um novo estudo de cientistas norte-americanos. Uma nova análise de modelos computorizados, reunida com as mais recentes medições da quantidade de gelo que resta durante o Verão no Pólo Norte, indica que o Árctico pode perder a maior parte da sua cobertura gelada durante o Verão já daqui a 30 anos.

“O Árctico está a mudar mais rapidamente do que se antecipava”, comentou James Overland, um dos autores do artigo que em breve será publicado na revista científica “Geophysical Research Letters”. “Isto acontece devido à combinação da variabilidade natural com uma subida na temperatura do ar e do mar, causada pelo aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera”, diz Overland, citado num comunicado de imprensa da União de Geofísica Americana, que publica esta revista.

Mas o gelo não desaparecerá completamente na estação mais quente. Será é muito reduzido. No fim do Verão de 2037, a área coberta por gelo no Árctico pode ser apenas um milhão de quilómetros quadrados, quando hoje se estende por 4,6 milhões de quilómetros quadrados. 

E em que é que isto nos afecta? Por um lado, abrir-se-ão rotas para os navios de mercadorias, poupando milhares de quilómetros nas rotas que fazem a travessia do Pacífico para o Atlântico. E poderá ser mais fácil chegar a alguns recursos naturais nas zonas costeiras, como minerais e gás natural, ou petróleo. 

Mas provocará também grandes mudanças nos ecossistemas: por exemplo, desaparecimento de alguns recursos pesqueiros, que se movem mais para Norte. Mas isso também pode ser uma bênção, para os países que pescam mais para o topo do mundo. Outras plantas e animais, como os ursos polares, podem é ter neste desaparecimento dos gelos o seu momento final. 

Estas novas projecções baseiam-se na análise dos 23 modelos dos efeitos do aquecimento do planeta usados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, um grupo que trabalha sob a égide das Nações Unidas). Desses, foram escolhidos seis, que representam de forma mais próxima da realidade o que se poderá passar com o gelo, explicou Muyin Wang, a principal autora do estudo. Esses foram comparados com as medições mais recentes do gelo no Árctico, de forma a calibrar as projecções.

Os seis modelos mostram que, quando a extensão de gelo se resume a 4,6 milhões de quilómetros quadrados no Verão (em 2007 até chegou a 4,3 milhões), começa a diminuir acentuadamente a acumulação do gelo. Fazendo uma média das previsões dos seis modelos, dentro de 32 anos o Árctico estará praticamente livre de gelo dentro de 32 anos. 



Público
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