quarta-feira, 13 de maio de 2015

Pólos magnéticos mudam

Um deslocamento rápido do pólo norte magnético, como o que agora se verifica, e uma queda abrupta e bastante significativa no campo magnético da Terra, que se vem acentuando nos últimos 300 anos, são fenómenos que sempre antecederam uma "inversão magnética", de que se conhece pouco.

O que se sabe é que estas mudanças de pólos magnéticos têm ocorrido algumas vezes nos últimos milhões de anos. A última aconteceu há 780 mil anos, de acordo com as evidências mostradas nos sedimentos ferromagnéticos.

O pólo norte magnético deslocou-se muito pouco desde a época em que os cientistas o localizaram pela primeira vez em 1831. Depois, em 1904, começou a avançar rumo ao nordeste a um ritmo constante de 15 km por ano. Em 1989, acelerou novamente, e em 2007 cientistas confirmaram que o pólo está agora a galopar em direcção à Sibéria a 64 km por ano.

As implicações nas áreas de navegação, tanto marítima como aeronáutica de grande porte, serão significativas, mas não drásticas, já que hoje existem meios de navegação independentes do magnetismo dos pólos. Mapas do campo magnético devem ser actualizados com mais frequência para que utilizadores de bússolas façam os ajustes cruciais do norte magnético para o verdadeiro Norte.

Desde há séculos, os navegadores usam o norte magnético para se orientar e embora os sistemas de posicionamento global tenham em grande parte substituído essas técnicas tradicionais, muitos ainda consideram as bússolas úteis para se orientar sob a água ou debaixo de terra onde não há sinal dos satélites de GPS.

Com uma inversão do campo magnético terrestre virá um enfraquecimento na capacidade da Terra em desviar os raios cósmicos. Haverá um provável aumento nos casos de cancro de todos os tipos, devido ao enorme bombardeamento de radioactividade causada pelos ventos solares, que sem o escudo de protecção se infiltrarão facilmente na atmosfera, contaminando não somente os seres vivos directamente, mas também a água e os alimentos. Não será nada em escala alarmante ou apocalíptica, mas certamente será algo a que se deverá prestar toda a atenção e cuidados necessários.

Durante esse período, o campo magnético do planeta não será nulo no seu todo, mas bastante diminuído. O maior problema ficará por conta dos buracos nesse campo causados pelas anomalias inevitáveis durante o processo de inversão.

Há, sobretudo, que prestar atenção na quantidade de sol que tomamos nos próximos mil anos.

As inversões geomagnéticas são uma área fascinante da pesquisa geofísica que continuará a ocupar físicos e geólogos durante muitos anos. A pesquisa para tentar compreender a dinâmica do nosso planeta continua. Conforme a Terra gira, o ferro fundido do seu interior é agitado e flui de forma estável durante milénios. Por alguma razão durante uma inversão magnética, algumas instabilidades causam uma interrupção da geração estável do campo magnético global, provocando uma mudança de pólos. Segundo a revista ‘Science’, o campo magnético da Terra não é tão simples como se acreditava. Além do dipolo norte-sul, existe um campo magnético mais débil e disperso pelo planeta, provavelmente gerado no núcleo externo da Terra.


Mário Gil
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