domingo, 17 de maio de 2015

O Clima


O conhecimento do clima de uma região é fundamental para o planeamento e gestão das atividades sócio-económicas, e também essencial para mitigar as consequências dos riscos climáticos.

A palavra clima provém de vocábulo grego que designava uma zona da Terra limitada por duas latitudes e era associada à inclinação dos raios solares e, por extensão, às características meteorológicas predominantes.
Na aceção geral o clima é a síntese do tempo e a nossa expectativa sobre as condições meteorológicas. E este é, em essência, o conceito que convém preservar. Cientificamente há que definir os atributos da definição em termos quantitativos, sendo que no clima os fenómenos interessam pela sua duração ou persistência, pela sua repetição e são caracterizados por valores médios, variâncias, probabilidades de ocorrência de valores extremos dos parâmetros climáticos.

Frequentemente ocorre confusão conceptual entre clima e tempo, duas grandezas que se distinguem, designadamente, pelo espaço temporal de referência. Numa simplificação de abordagem poderá dizer-se que o estado de tempo refere-se ao conjunto das condições meteorológicas num dado local, designadamente a temperatura e a humidade do ar, a precipitação, a nebulosidade, o vento e à sua evolução no a dia a dia. Por seu lado o Clima poderá traduzir-se pelo conjunto de todos os estados que a atmosfera pode ter num determinado local, durante um tempo longo, mas definido. Este intervalo de tempo durante o qual podemos dizer que existe um determinado tipo de clima é escolhido como “suficientemente longo”, em geral 30 anos.

O clima de um dado local depende do intervalo de tempo utilizado e não é o mesmo para um ano, um decénio, ou um século. Na descrição quantitativa do clima é necessário indicar o período (intervalo de tempo) a que correspondem os valores numéricos apresentados. Com efeito, o clima varia com o tempo e por isso não devem comparar-se climas utilizando valores que correspondam a intervalos de tempo com números diferentes de anos, ou que correspondam ao mesmo número de anos, mas em épocas diferentes.

Com o conhecimento do clima em Portugal, matéria de responsabilidade do IPMA, podem desenhar-se respostas à escala nacional e internacional, para os desafios da variabilidade e alterações climáticas, tendo em consideração um novo paradigma para os serviços de clima, baseados na premissa de que decisões económicas poderão beneficiar de um melhor conhecimento das condições climáticas.


Chama-se normal climatológica de e um elemento climático em um local o valor médio correspondente a um número de anos suficiente para se poder admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local considerado.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) fixou para este fim 30 anos começando no primeiro ano de cada década (1901-30, ..., 1931-1960, 1941-1970, ..., 1961-1990, 1971-2000).

Os apuramentos estatísticos referentes a estes intervalos são geralmente designados por Normais Climatológicas (sendo, nomeadamente as normais de 1931-1960 e 1961-1990 consideradas as normais de referência).

As Fichas Climatológicas disponíveis no IPMA, I.P., fornecem, para a estação climatológica selecionada, os valores mensais e os valores anuais de alguns dos principais parâmetros climáticos sob a forma de gráficos e Tabela: valores médios da temperatura máxima e mínima do ar; precipitação; insolação; vento; valores extremos da temperatura máxima e mínima do ar.



Sendo a definição do índice de duração da onda de calor ( HWDI – Heat Wave Duration Index) segundo a Organização Meteorológica Mundial (WCDMP-No.47, WMO-TD No. 1071),considera-se que ocorre uma onda de calor quando num intervalo de pelo menos 6 dias consecutivos, a temperatura máxima diária é supeior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência.

De realçar, no entanto, que esta definição está mais relacionada com o estudo e análise da variabilidade climática (em termos de tendências) do que propriamente com os impactos na saúde pública de temperaturas extremas que possam observar-se num período mais curto. Por exemplo, a ocorrência de 3 dias em que a temperatura seja 10 °C acima da média terá certamente mais impacto na saúde que 7 dias com temperatura 5 °C acima da média.

As ondas de calor, que podem ocorrer em qualquer altura do ano, são mais notórias e sentidas pelos seus impactos quando ocorrem nos meses de verão (junho, julho e agosto). De referir ainda que Junho é o mês de verão em que as ondas de calor ocorrem com maior frequência em Portugal Continental.

Desde a década de 1940, período em que existe informação meteorológica diária num maior numero de estações, têm-se verificado ondas de calor de extensão espaço-temporal variável; no entanto, é a partir da década de 90 que se regista a maior frequência deste fenómeno.

Merecem particular referência, pela intensidade, duração e extensão espacial e também pelos impactos socio-económicos, as ondas de calor de Junho de 1981, julho de 1991 e julho/agosto de 2003.

de 15 a 23 de junho de 2005
de 30 de Maio a 11 de junho 2005
de 29 de Julho a 15 de agosto 2003
de Julho de 10 a 18 de julho de 1991
de 10 a 20 de junho de 1981

A análise estatística das séries climatológicas longas da temperatura do ar em Portugal Continental no período de 1931 a 2004, permite verificar que a partir de 1972 há uma tendência crescente dos valores da temperatura média anual à superfície, tendo sido o ano de 1997 o mais quente nos últimos 74 anos.

Os 6 anos mais quentes ocorreram nos últimos 12 anos, sendo 2004, o 18º ano consecutivo com a temperatura mínima do ar acima da média 1961-1990.

A análise estatística da quantidade de precipitação anual no período 1931 – 2004, permite afirmar que nos últimos 20 anos, apenas 8 apresentaram valores da quantidade de precipitação acima da média de 1961-1990. O ano de 2004 registou o valor mais baixo do total de precipitação anual desde 1931. A evolução sazonal dos valores médios, entre 1931-2004 apresenta uma redução sistemática da precipitação na primavera, estatisticamente significativa.

Numa análise à variabilidade sazonal da precipitação verifica-se no período de aquecimento um aumento da quantidade de precipitação no outono e uma diminuição nas outras estações do ano.

Identificam-se na variabilidade mensal da precipitação valores positivos significando que os respetivos meses foram mais chuvosos no período de aquecimento (1976-2004) que no período de arrefecimento (1946-1975); de realçar a diminuição significativa no mês de março e o aumento nos meses de outubro e dezembro. O aumento da quantidade de precipitação neste último mês não compensa a diminuição nos meses de janeiro e fevereiro.



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